UMA PEREGRINAÇÃO AO LÍBANO – PARTE 5
O MOSTEIRO DE SANTO ANTÃO DE KOZHAYA
20 de julho de 2015. Estávamos a caminho do Vale Kadisha, o vale
santo; percorrendo as íngremes montanhas, era impossível não assustar-se diante
da profundidade do vale. Podíamos imaginar as agruras enfrentadas pelos muitos
cristãos que ali se refugiaram nos primeiros séculos do cristianismo, escapando
às perseguições, bem como pelos monges sedentos de silêncio e dedicação total
ao Senhor, que se incrustavam nas cavernas em sua busca de santidade, como
pedras preciosas que iluminavam o vale.
Aguardava-nos o mosteiro de Santo Antão ou Antonio, o abade.
Considerado um dos mais antigos do mundo, o mosteiro de Santo Antão de Kozhaya
fui fundado, segundo a tradição, por Santo Hilário, no século IV, em homenagem
ao santo monge egípcio, tido por iniciador da vida monástica do Oriente.
Situado a
Quase que dependurada no penhasco, vê-se reconstruída uma casinha
que serviu de morada para eremitas há mais de mil anos, cujo acesso se dá por
íngremes escadas.
Tivemos o
privilégio de desfrutar da hospitalidade dos monges, que ainda nos presentearam
com um momento de oração em siríaco, no interior da Igreja do mosteiro,
instalada desde séculos numa gruta natural, impressionante pela suavidade das
cores em contraste com a nudez das rochas. Era meio-dia, e os sinos ecoavam no
vale convidando à oração e ao recolhimento. Nesse lindo mosteiro, São Nimatulah
Kassab fez o seu noviciado. Entramos ainda na gruta de Santo Antão, ao lado do
mosteiro, uma escura caverna onde os peregrinos se recolhem em oração até hoje.
Impossível não pensar
nalgumas coincidências: A festa de Santo Antão é celebrada em 17 de janeiro,
dia em que nasci! Antão quer dizer Antonio, meu nome! É também um dos patronos
da Igreja Maronita. Justamente nesse dia, em 2006, D. Joseph Mahfouz (+) anunciava
a criação da nossa paróquia maronita de Guarulhos. Obrigado, Senhor.
Antônio do Deserto ou Antão nasceu na cidade de
Conam, Egito, em 251. Era o primogênito de uma família cristã de camponeses
abastados e tinha apenas uma irmã. Aos vinte anos, com a morte dos pais, herdou
todos os bens e a irmã para cuidar. Mas, numa missa, foi tocado pela mensagem
do Evangelho em que Cristo diz a quem quer ser perfeito: "Vai, vende os
teus bens, dá aos pobres e terás um tesouro nos céus. Depois, vem e me
segue". Foi exatamente o que ele fez. Via na oração contínua, no trabalho,
na penitência e no atendimento aos pobres e pecadores. Aos cinquenta e cinco
anos, atendeu ao pedido de seus discípulos, abandonando o isolamento do
deserto. Com isto, nasceu uma forma curiosa de eremitas: os discípulos viviam
solitários, cada um em sua cabana, mas todos em contato e sob a direção
espiritual de Antão do Egito.